14 de jun de 2013

ENTREGA DA CESTA LITERÁRIA DA ACEIB 2013

LUCAS PEREIRA RECENDO A CESTA LITERÁRIA 2013
DAS MÃOS DE KELLY VYANA






A queimada

Queime tudo o que puder:
as cartas de amor
as contas telefônicas
o rol de roupas sujas
... as escrituras e certidões
as inconfidências dos confrades ressentidos
a confissão interrompida
o poema erótico que ratifica a impotência
e anuncia a arterioesclerose
os recortes antigos e as fotografias amareladas.

Não deixe aos herdeiros esfaimados
nenhuma herança de papel.
Seja como os lobos: more num covil
e só mostre à canalha das ruas
os seus dentes afiados.

Viva e morra fechado como um caracol.
Diga sempre não à escória eletrônica
Destrua os poemas inacabados, os rascunhos,
as variantes e os fragmentos
que provocam o orgasmo tardio dos filólogos e escoliastas.

Não deixe aos catadores do lixo literário nenhuma migalha.
Não confie a ninguém o seu segredo.
A verdade não pode ser dita.

Ledo Ivo
(1924)

Mais sobre Ledo Ivo em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lêdo_Ivo

INDICAÇÃO DE LEITURA

                                                      
Indicar Clarisse Lispector para leitura é incorrer no pecado da presunção. Mas e daí?, não sou santa!
Um sopro de vida,  de onde recortei o trecho abaixo, parece-me o estado de êxtase de Clarisse, pelo menos seria o meu, se o houvesse escrito. Desconfio que eu e ela flamejamos idêntica lava e nos despelamos à carne viva, o que me põe no leme por este átimo - e não mais que este em que peco -  já que ela partiu. Vale à pela descer às profundezas para sentir o arder da seiva letífera na qual ela penosa e solitariamente esteve, com sua alma divida em Ângela Pralini e o Autor (que é ela mesma). Deleitem-se, eu lhes aconselho, porque:
Quem passou por esta vida e não a leu, pode ser mais mas sente menos do que eu, pois Clarisse só se dá pra quem viveu, pra quem amou, chorou, ardeu, cresceu. Quem nunca teve uma incursão, nunca entenderá Clarisse, não. Se chegar até Vinícius, suba mais alguns degraus, vale à pena.
(Maria Montillarez)
(Clarisse Lispector)
“Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo.” 

Colar de pérolas precisa estar em contacto com a pele da gente para receber nosso calor. Senão fenece. Uma, duas, três, sete, quantos ovos peroláceos de madrepérola? E termina com um delicadíssimo fecho de brilhantes engastados em ouro branco.”

Indicação de leitura

As obras da escritora Maria Montillarez são expressão da arte da escrita com naturalidade e encantamento. No livro Colar de Pérolas & O Pingente a autora novamente nos surpreende pela qualidade, valor literário e cultural; vem enriquecer ainda mais a literatura brasileira. Se o objetivo de um bom livro é prender a atenção, emocionar e proporcionar reflexões, este alcança o seu objetivo com maestria e de forma empolgante. 

(Escritor e Filósofo Rogério Corrêa)

Indicação de leitura

O avanço da tecnologia de ponta trouxe a expectativa de substituições, dentre elas, encontra-se a substituição dos livros impressos pelo livro eletrônico. Além de tal expectativa avaliava-se também qual seria o interesse das pessoas por leituras do tipo literária, já que na nova era tecnológica tal leitura poderia ser considerada como ultrapassada. A surpresa que nossa década apresenta é: não somente o livro não foi substituído como também o interesse pela literatura não desapareceu, nem teve uma queda tão significativa quanto a esperada. A responsabilidade de manter viva a chama da literatura e de demonstrar o valor que o livro ainda tem, repousa sobre a qualidade de livros como Colar de Pérolas & O Pingente. Este livro conta a saga de duas amigas, Lucinda e Lígia. O forte sentimento que une as duas personagens não evitou que a vida as separasse em dado momento. O livro é resultado de uma longa reflexão realizada pela autora que, fazendo uso de sua capacidade nata, escrever literatura, nos apresenta uma obra fantástica. A leitura do livro é indispensável para todos aqueles que apreciam uma excelente saga literária. Boa leitura.

(Dr. Ernandes Reis Marinho)

(Trecho do livro: Colar de Pérolas e O Pingente) Maria Montillarez

(Trecho do livro: Colar de Pérolas e O Pingente)
Maria Montillarez

No frio eu me deprimo; sinto fome de comer energia humana pura, aí me recolho, fico perigosa para os reais, pois qualquer um pode virar literatura em minhas mãos. Sou catadora de restolhos; recolho gramíneas e com elas pratico a jardinagem literária. Essa é minha tendência. Às vezes nascem-me flores e, às vezes, espinhos. Difícil saber o que vai sair do meu restolho literário. Eu arrisco. Tenho apreciado esse risco no verão, na primavera e no outono também, mas é no inverno que gosto de separar sementes e semear as palavras. Cato materiais no ar; capto a essência que todo criador vê à sua volta. Exploro meus personagens, dou-lhes e tiro tudo. No fim, espero sempre que sobrevivamos, eles e eu, e temos sobrevivido. Embora eu não seja nem ave, nem Lígia, nem Lucinda, é meu jeito de sobreviver ao inverno. As outras estações são apenas estações de apoio intelectual. É sempre no inverno que tenho fome e desejo de partir junto com os pássaros, em revoada. Às vezes voo; às vezes me acorrento no mundo da ficção.
Algumas vezes sonhei ser Lígia, com aquele furacão n’alma (morri de amor por ela!). Ela me sugava as energias até me apagar, como se apaga a um cigarro pela metade, num cinzeiro vagabundo. Lígia era meu ser notívago, que me acordava de madrugada para me revelar sua lógica indefinível nas réstias da luz artificial. Ela mandava em mim, dizia o que queria. Fui sua aia.
Lucinda se esparramava em mim, como ramos de maracujá na calmaria da cerca. Ela era toda inquietação e pureza e flores; a dureza da casca do fruto, tudo destilado no bojo de uma mente nua, a minha. Minha mente despiu-se para conceber Lucinda em toda sua leveza e complexidade de caráter.
Lucinda e Lígia carregam de minha pessoa, laivos que se espraiaram no campo da idealização, já que nos instantes da criação saí de mim para sê-las; elas saíram de mim para existirem em prosa e verso. Somos e não somos matéria. Virei palavras em meu teclado; externo a ele, sou matéria.
É isto que são esses dois livros em um: cinzas dos meus trinta e cinco anos de idade. Evoluí com essas duas mulheres espectrais, Lucinda e Lígia. Aprendi com elas, e elas comigo. Seremos sempre docentes em fase de troca e, quando o leitor sentir saudades de Maria Montillarez, não me busque em meu túmulo. Busque-me em um livro meu. Lá teremos bons e maus momentos juntos (só nossos), de profunda amizade.

CESTA LITERÁRIA DOS DIA DAS MÃES

Sorteio da Cesta Literária do Dia das Mães 2013, realizado na Sorveteria Trem Bão, à QR 314, Samambaia Sul/DF feito pela pequena Maria Clara Duarte Santos, de 1,6 anos, acima de qualquer suspeita... O felizardo foi Lucas Pereira, aluno do 5º ano D, do CEF 120, Samambaia Sul.






CESTA LITERÁRIA DO DIA DAS MÃES

A Cesta Literária do Dia das Mães desse ano teve idêntico sucesso a do ano passado. Os títulos constantes na cesta eram quentíssimos, de Veríssimo a Dostoiévsky. Um aluninho da Kelly Vyanna fez a mãe dele feliz com essa Cesta linda. Parabéns, garoto de sorte!
 À esquerda na foto, apenas identifico o Senhor Presidente da Academia Brasiliense se Letras José Carlos Gentilli.


Bom dia, amigos da ACEIB/DF,

Ontem, dia 13 de junho de 2013 foi um dia memorável para a Academia de Letras de Brasília, para Brasília, para o Brasil e para o mundo das letras. Foi eleito imortal, para ocupar a XXI cadeira da Academia de Letras de Brasília, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (aposentado) Excelentíssimo Senhor Carlos Ayres Brito. A solenidade ocorreu com discrição e simplicidade, concernente ao jeito de portar-se do Ministro e brilhante poeta. Ele proferiu, durante a cerimônia, alguns de seus lindos adágios, mesclados de excelente humor, mesmo quando o tema pedia uma pá de chumbo grosso. A harmonização dos elementos é, sem dúvida, um dos seus finíssimos papéis na academia desta nossa terra tão adorada. É um grande brasileiro.
(Maria Montillarez)