14 de jun de 2013

INDICAÇÃO DE LEITURA

                                                      
Indicar Clarisse Lispector para leitura é incorrer no pecado da presunção. Mas e daí?, não sou santa!
Um sopro de vida,  de onde recortei o trecho abaixo, parece-me o estado de êxtase de Clarisse, pelo menos seria o meu, se o houvesse escrito. Desconfio que eu e ela flamejamos idêntica lava e nos despelamos à carne viva, o que me põe no leme por este átimo - e não mais que este em que peco -  já que ela partiu. Vale à pela descer às profundezas para sentir o arder da seiva letífera na qual ela penosa e solitariamente esteve, com sua alma divida em Ângela Pralini e o Autor (que é ela mesma). Deleitem-se, eu lhes aconselho, porque:
Quem passou por esta vida e não a leu, pode ser mais mas sente menos do que eu, pois Clarisse só se dá pra quem viveu, pra quem amou, chorou, ardeu, cresceu. Quem nunca teve uma incursão, nunca entenderá Clarisse, não. Se chegar até Vinícius, suba mais alguns degraus, vale à pena.
(Maria Montillarez)
(Clarisse Lispector)
“Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo.” 

Colar de pérolas precisa estar em contacto com a pele da gente para receber nosso calor. Senão fenece. Uma, duas, três, sete, quantos ovos peroláceos de madrepérola? E termina com um delicadíssimo fecho de brilhantes engastados em ouro branco.”

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