11 de out de 2014

Resenha do livro ARREBOL de Maria Montillarez

MONTILLAREZ, Maria. 2. ed. Arrebol. Brasília: ICEIB/DF, 2014.

Resenhado por: Diane Meire Barbosa Rodrigues
               
      Maria Montillarez é professora de formação, mas emprega muito de seu tempo como revisora de textos, Primeira-Secretária do ICEIB/DF, Primeira-Secretária e membro da Academia Samambaiense de Letras, autora de oito romances.

No livro Arrebol, composto de trinta e quatro textos
mistos, entre contos, crônicas, poesias e homenagens, distribuídos em 154 páginas, Maria Montillarez constrói uma literatura bastante diferente daquela a que estamos habituados a vê-la produzir. Em Arrebol pode-se encontrar doentes mentais, como a personagem Santina, que dá nome ao conto, e Gilberto, do conto Ao século o que é do século.

Com a sutileza de quem há muito vem dominando a técnica do romance, Maria Montillarez  desenvolveu a crônica cujo título é Revertido, e não mero acaso, também nomeia um personagem do texto, mas principalmente dá nome ao livro.


Destaco essa crônica, porque ela me fez refletir os maus dias de nosso país, passado e presente. Enquanto se lê essa crônica, as reações são: de curiosidade; esperteza (pensa-se logo haver decifrado o enigma do estranho homem aprisionado); frustração, pois não era o que parecia; comoção pela situação do prisioneiro; horror pelo que de fato é, não apenas pelo Revertido, mas pelo que todo ser humano, se condicionado, é capaz de ser.


A linguagem que a autora se utiliza segue linha idêntica à de seus romances: Maria Montillarez é adepta a um “normativo coloquialismo”, se é que se pode definir assim. Ela tem uma maneira normatizada de inserir a linguagem coloquial com o propósito de valorizar, destacar as variações linguísticas. Tal forma dá graça e genuinidade aos seus escritos. Não obstante a isso, seus textos são claros, porém, nunca se espere dessa escritora o estilo linear. Ela não quer ser “acusada” disso. Nos demais textos pode-se rir, chorar e até se identificar (identificar um conhecido seu!), mas sobretudo, refletir. Nas crônicas, as verdades da vida cortando a carne; nos contos, as tragédias ficcionais. Arrebol não é um livro para quem se encabula fácil. É um livro para quem aprecia escalar montanhas, abrir picadas. Esse é seu público alvo. Quem não sobrevive a uma trilha de obstáculos, só lerá o primeiro conto, pois Arrebol é um convite aos aventureiros e tem os mistérios que os aventureiros apreciam decifrar.    

O que encerra o conjunto desses textos são as homenagens (homenagens?) Verdade, Maria Montillarez é aquele tipo de mulher que venera a gratidão, e, por isso, homenageia nas últimas páginas de Arrebol, algumas de suas grandes amigas, colaboradoras em sua vida e na literatura; homenageia a escritora Lígia Fagundes Telles, por quem tem grande apreço, mas... também homenageia as “baratas”! Hasteando a bandeira preta do luto, ela fala de Clarinha, a Clara Luz, e assim, Maria Montillarez se insere na vida de todas as vidas, uma mulher com um dom especial, o de escrever magnificamente, embora padeça, como qualquer mortal, dos males da vida, mesmo sendo a imortal da academia de letras.



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