3 de out de 2019

Feira do Livro de Camaquã - RS

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Otimistas incorrigíveis

Descrição do livro Otimistas incorrigíveis:  Ser otimista é parte da personalidade de todo
brasileiro. Mesmo o brasileiro mais pessimista, traz consigo alguma dose de otimismo. O livro Otimistas Incorrigíveis harmoniza vários escritores em volta de um mesmo tema, que é a esperança. De diferentes vertentes, cada escritor dá provas desse otimismo, impregnado ao eu de cada brasileiro. Embora os textos sejam de tipologias diferentes e enfoquem óticas diversas, é interessante notar que, não obstante hajam problemas de toda sorte neste país, e a máquina administrativa governamental esteja rota, a esperança dá às caras: uns brasileiros fazem trabalhos de formiguinhas para melhorar o espaço ao seu redor, e outros vão às ruas pedir moralidade. Isso é ser otimistas incorrigíveis, com muito orgulho e com muito amor!

 Mais um lançamento pelo selo do Instituto/Editora ICEIB. Acesse um dos links abaixo e conheça algumas de nossas obras:

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28 de set de 2019

Feira do livro de Veranópolis - RS

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Pescador de História, de Rogério Corrêa

Sinopse do livro Pescador de Histórias: Quando se fala em pescadores e caçadores muitos pensam
que eles incrementam as suas histórias, que são mentirosos ou que inventam certas situações para contar vantagem. Admito que alguns causos que ouvi são difíceis de acreditar, porém, alguns episódios estranhos já aconteceram comigo, e, se eu os contasse, algumas pessoas poderiam duvidar ou dizer que são “histórias de pescador”. Enfim, para fazer este trabalho foram entrevistadas pessoas de vários locais, no intuito de que seus causos inusitados fossem repassados para você e futuras gerações. Também falarei sobre a importância da preservação do meio ambiente, a pesca e a caça no Brasil.

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23 de set de 2019

Feira do Livro de Cachoeira do Sul - RS

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Feira do livro Flifs - Festival Literário e Cultural de Feira de Santana - BA

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Feira do livro de Nova Palma - RS

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Otimistas Incorrigíveis, mais uma obra com o selo do Instituto/Editora ICEIB

Descrição do livro Otimistas incorrigíveis:  Ser otimista é parte da personalidade de todo brasileiro. Mesmo o brasileiro mais pessimista, traz consigo alguma dose
de otimismo. O livro Otimistas Incorrigíveis harmoniza vários escritores em volta de um mesmo tema, que é a esperança. De diferentes vertentes, cada escritor dá provas desse otimismo, impregnado ao eu de cada brasileiro. Embora os textos sejam de tipologias diferentes e enfoquem óticas diversas, é interessante notar que, não obstante hajam problemas de toda sorte neste país, e a máquina administrativa governamental esteja rota, a esperança dá às caras: uns brasileiros fazem trabalhos de formiguinhas para melhorar o espaço ao seu redor, e outros vão às ruas pedir moralidade. Isso é ser otimistas incorrigíveis, com muito orgulho e com muito amor!

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Projeto "Conversa com o Escritor

Instituto ICEIB tem marcado presença em vários eventos e divulgando a cultura das letras e seus escritores:










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Casebre mal-assombrado, trecho do livro "Histórias do Além (assombrações, experiências sobrenaturais, visagens, tesouros, ...)", de Rogério Corrêa

Casebre mal-assombrado, trecho do livro "Histórias do Além (assombrações, experiências sobrenaturais, visagens, tesouros, ...)", de Rogério Corrêa

- Casebre mal-assombrado
Na sede velha da fazenda Claro de Minas já aconteceram muitas coisas estranhas.O finado Jair contou que testemunhou um dia em que algumas pessoas espíritas desenterraram um pequeno tesouro perto do velho casebre.
Aconteceram muitas coisas estranhas naquela noite, viram dicoques[1] do tamanho de uma bacia, um gato preto dos olhos vermelhos e do rabo muito grosso, além do aparecimento de marimbondos.
Zé Raimundo contou que morava na tal casa de fazenda do senhor José, seu compadre, e presenciou um casal de baianos que morava em Belo Horizonte e havia sido contratado para tirar as coisas esquisitas dali, falharem. Assim como outros, como se verá adiante. No caso dos baianos, um bicho prendeu as pernas do homem atrás da cabeça dele, e a coisa foi feia. Somente com muito sacrifício foi que as pernas do homem voltaram para o lugar.
Em outra ocasião chamaram uma mulher para “fazer o trabalho” de tentar retirar as assombrações do lugar. A mulher começou a falar coisas incompreensíveis, e andar com as mãos em lugar dos pés. Às vezes, andava apenas em uma das mãos dentro da casa. Foi um peteco só.
Já era bem tarde da noite, e o Zé Raimundo e a esposa dele não queriam dormir no local, então resolveram ir para Vazante.
No entanto, as pessoas contratadas pediram para ninguém ir enquanto não concluíssem todo o trabalho, caso contrário poderia acontecer alguma coisa no caminho.
As recomendações foram atendidas, aguardaram dentro do carro. Quando era de madrugada, acordaram e avistaram um homem estranho passando próximo ao carro e desaparecer em seguida. Isso não o impressionou, pois podia ser uma pessoa qualquer passando por ali naquele horário. Porém, criou coragem de ir embora para a cidade, mesmo correndo o perigo de o bicho jogar eles dentro de uma ponte ou coisa parecida.
Não aconteceu nada e também não resolveram o problema.
Novamente trouxeram ajuda com outra pessoa do ramo, outra mulher. Ela chegou na fazenda por volta de meio-dia. Pouco tempo depois ela disse que a coisa estava debaixo de um pé de manga. Mal falou isso e levou uma queda bruta que a virou de pés pra cima, ela se esborrachou no chão.
Ao se levantar, a mulher estava com uma voz estranha e falando coisas esquisitas, braba como uma onça raivosa, falando que iria pegar um da família. Nessa hora o homem que acompanhava a mulher pediu para ajudá-lo a segurá-la. A mulher passou a mão em um trancelim de ouro e o trancelim se despedaçou em muitos pedaços.
Continuava espumando a boca e falando coisas do outro mundo, coisas que ninguém entendia. O marido da mulher pediu ajuda. Ele era mais jovem, naquela época, tinha muita força. Foi em direção à mulher e deu uma cacetada nas costas dela, com as próprias mãos. Ele pensou que ela iria cair de bruços devido à forte pancada, só que a coisa deu uma cambalhota e caiu de costas, e continuou falando coisas estranhas.
Novamente o marido da mulher pediu ajuda, no sentido de irem buscar outro cidadão também dedicado ao mundo espiritual para ajudá-los a resolver o caso.
Zé Raimundo não quis saber de ir buscar o outro homem na cidade, entregou as chaves para ele e pediu que entregassem o carro no outro dia.
Pensou que não receberia o carro inteiro. No outro dia entregaram o carro do mesmo jeito que antes e foi informado que não deram conta de resolver o caso.
Se antes não tinha medo, a partir daí começou a ficar com muito receio da coisa. Por respeito ao proprietário da fazenda, apesar dos bons motivos para se mudar de lá, sempre era convencido a não o fazer, porque se se mudasse, nenhuma outra pessoa moraria lá.
Passados alguns dias, acordou durante a noite e sentiu um grande arruaço e ouviu uma voz grossa dentro do quarto escuro. Ele perguntou:
― Quem está aí? O que você quer?
E a coisa respondeu:
― A partir de agora, é eu, ocê ou um túmulo.
Naquela hora ele falou para a coisa que não queria nada de túmulo ou de coisa nenhuma, só queria sair dali.
Chamou a esposa, mas, ela não acordava de jeito nenhum. Depois de muita insistência, conseguiu despertá-la. Contou o que tinha acontecido e informou que iam para a cidade naquela hora (pouco mais de meia-noite). Era só o tempo de vestirem as roupas e pegar uma lamparina[2] para levar até o carro.
Zé Raimundo ficou com tanto medo que chegou a pensar que a coisa iria pegar eles no caminho e cortar o farol do carro. Por isso, tinha de levar uma lamparina.
Entrou no seu fusca e seguiu viagem muito preocupado e ainda assombrado. No caminho não aconteceu nada, porém, quando entrou na cidade, perto onde é o atual Fórum de Justiça, virou para à direita, na rua que atualmente fica a Delegacia de Polícia Civil. A coisa deu uma chicotada no carro, na parte traseira, fez um barulhão, parecia um tiro, de tão alto. Olhou pelo retrovisor e, dos lados, não viu nada. Perdeu a coragem de parar na delegacia e acelerou. Ao chegar na fazenda de seu patrão, não quis acordá-lo. Dormiram na casa próxima, onde a sua mãe morava.
Quando o dia amanheceu, o senhor José avistou o carro, e então foi cumprimentar seu compadre.
― Bom dia, compadre.
― Bom dia.
― O que aconteceu para estar aqui tão cedo? ― Ele perguntou.
Zé Raimundo contou tudo ao patrão, o compadre senhor José, e informou que não voltaria mais àquela casa.
Nessa hora o senhor José colocou as mãos na cabeça e suplicou:
― Meu compadre, pelo amor de Deus, não deixa a casa, porque se o senhor sair de lá, outra pessoa não permanecerá na casa.
― Compadre, dessa vez não tem volta, está decidido, não durmo lá nunca mais.
― Não tem volta mesmo?
― Não, compadre, eu lamento.
Zé Virgílio ficou calado por algum tempo, depois falou:
― O senhor vai ter que voltar lá agora para tirar o leite e levar sal para o gado.
Senhor José era muito sistemático, e por eles darem muito certo, resolveu fazer o solicitado. Quando já estava perto da fazenda, em uma reta, uns cento e poucos metros da casa, a coisa ruim pegou um dos lados do carro e levantou para o alto, se levantasse mais um pouco ele virava. Ficou com tanto medo que só lembrou de pedir proteção à Nossa Senhora, e, então, o cramulhão soltou o fusca e deu aquele solavanco que quase o despedaçou.
Zé Raimundo conta que olhou para os lados e não viu nada. Naquele momento ele se tremia todo, e o medo era demais. A parte da estrada em que ele estava era um lugar tão reto, e sem mais nem menos o trem fez aquilo com o carro!
Terminou de chegar na casa, porém, não entrou dentro dela. Zé Raimundo estava meio desorientado, parecia um tanto ruim da cabeça. Mesmo daquele jeito, tirou o leite, fez os queijos, colocou sal nos cochos e retornou para a fazenda do patrão.
Ficou tão descabreado com aquele lugar assombrado, que acabou esquecendo até o cachorro que ele mais gostava. Nos outros dias ele não retornou à fazenda, o senhor José tinha arrumado outro peão para tirar o leite e fazer os queijos.
Passados alguns dias, Zé Raimundo se lembrou de que tinha de voltar lá para buscar o cachorro, caso contrário, o cachorro morreria de fome.
Dessa vez foram a cavalo, levando um cachorro preto da irmã dele, o corta-ferro, e mais dois homens.
Olharam o gado, e, quando estavam passando perto do cemitério, veio um carro e atropelou o cachorro corta-ferro. O bichinho morreu na hora. O meu cachorro foi levado amarrado para não fugir.
Se é ou não coincidência, Zé Raimundo disse que evita pensar naquilo.
Alguns dias depois, voltou lá para mostrar a propriedade para o Baltazar, e o Baltazar disse a ele:
― Zé Raimundo você é mole demais, sô! Da dondejá se viu isso? Se aparecer algo aqui, irei amarrar ele pelo saco.
Zé Raimundo desejou boa sorte, ao Baltazar, explicando que não teve coragem de permanecer ali.
Poucos dias depois de ele sair da casa, o Baltazar bebeu uma enorme quantidade de veneno Furadan[3], e de acordo com os conhecidos dele, fez até um buraco na cacunda.
Ficou-se sabendo também, pela boca dos outros, que logo após o Baltazar ter bebido veneno, foi em direção aos seus amigos e falou que tinha bebido uma coisa e ia morrer, só que não queria morrer de jeito nenhum, mas, ia morrer de todo jeito. E morreu de fato.
Zé Raimundo acha que foram as bobeiras que o sujeito falou que provocaram a sua morte.
Após essa tragédia o senhor José convidou um padre para uma celebração na fazenda assobrada. No dia da missa, além dos muitos convidados e familiares, estavam presentes junto com eles um pai de santo de outra cidade, para resguardar o padre, caso acontecesse algo com ele.
Apenas senhor José e a esposa dele tinham conhecimento do fato. Depois do ato ecumênico, nunca mais teve algo diferente na fazenda. Foram muitos os moradores e nenhum deles reclamou de assombração.
[1] Sapo bem grande conhecido popularmente como cururu.
[2] Lamparina é um objeto cônico de latão onde se derrama querosene que molha um cordão que serve de pavio para colocar fogo e iluminar o local. Lamparinas eram usadas principalmente onde não possuiam energia elétrica. Atualmente são poucas as localidades que as usam.
[3] Furadan é um veneno fortíssimo e perigoso. Inclusive existem vários relatos de pessoas perderem a vida após a sua ingestão.

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Os amigos de sempre, de Maria Montillarez

O livro Os amigos de sempre, da escritora Maria Montillarez é o tipo de romance que desperta ou amor ou ódio visceral. Por
isso, a autora Maria Montillarez escreveu o Prólogo pro-réu: “ [...] Escrevi esta [...] conforme as impressões que o real me causou. Num momento eu estava perdida entre o real e o imaginário, noutro embebida daquele viço vicioso de ser homem jamanta, pois o macho brasileiro é especial em seu modo de ver o mundo; ele pode ir de um extremo ao outro, sem mais delongas ou explicações. Já ouvi que a culpa é do clima tropical. Nada mais inverossímil do que isso. Nada mais cômodo do que justificar a história de opressões contra a mulher atribuindo a culpa ao clima. Se assim o fosse, o que dizer dos países gélidos com seus machistas seculares? De todo modo, o leitor é dono das interpretações que fizer daquilo que ler. E, citando Gonçalves de Magalhães: “... não se compõe uma orquestra só com sons doces e flautados; cada paixão requer sua linguagem própria, seus sons imitativos, e períodos explicativos” (Suspiros Poéticos e Saudades, 1836). Magalhães se antepunha à crítica e disse mais: “Eis as necessárias explicações para aqueles que lêem[sic] de boa fé, e se aprazem de colher uma pérola no meio das ondas; para aqueles, porém, que com olhos de prisma tudo decompõem, e como as serpentes sabem converter veneno até o néctar das flores, tudo é perdido; o que poderemos nós dizer-lhes?... Eis uma pedra onde afiem suas presas; mais uma taça onde saciem sua febre de escárnio.” (idem, ibidem).

Façam suas apostas antes de iniciarem a leitura!

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Lygia, texto da escritora Maria Montillarez

Lygia,

Em 1974 eu e minha família vivíamos em um lugar inóspito, o exato oposto do nordeste onde nasci: úmido, quentíssimo, muitos mosquitos, malária, febre amarela, lama, mata fechada e índios. Era a Transamazônica em toda sua bruteza.
Eu, que há pouco brincava de rodas, às vezes, em volta da fogueira nas noites enluaradas de São João, jamais imaginara tamanho pesadelo. Agora, nenhuma fogueira iluminava aquele lugar detestável; eu perdia minhas raízes. Meus irmãos se moldaram de pecuaristas e fruticultores que eram, em caçadores. Comíamos carne quando eles matavam um bicho na mata, e conhecemos os sabores do norte do país.
Aos 13 anos conheci a literatura de Lygia Fagundes Telles. As meninas me cativaram, e preciso falar de como esse romance mudou meu curso. Li-o várias vezes, pra poder entendê-lo. Não por culpa do livro, mas de minha leitura deficiente. Até ali, meu histórico vinha sendo infiel à minha escolaridade. Mas queria tanto entender aquelas três meninas!... E como era que a cidade inteira, do livro de Lião, cheirava a pêssego? Eu nunca tinha visto um pêssego na vida! Como se pareceria o cheiro de pêssego? Mesmo que fosse exagero, poderia o cheiro de pêssego ser tão forte a ponto de fazer uma cidade inteira ficar perfumada? O que era pêssego, meu Deus?
Era um questionamento simples, mas para quem jamais questionara coisa alguma, aquela era uma questão que eu precisava solucionar. A cidade seria pequena, tão pequena quê?... Ou os pêssegos seriam enormes, ou tantos?... 
Aquilo me fervilhava à mente. Perguntei a uma professora como uma cidade inteira poderia cheirar a pêssego, que, embora Lorena achasse ser exagero de Lião, a própria Lião tanto sentira o cheiro que escrevera a respeito. Ou Lião apenas imaginara que a cidade inteira cheirava a pêssego? Eu queria saber se minha professora já tinha visto um pêssego. E como era um pêssego?
A professora me disse que depois me responderia. Passou a fugir de mim.
Hoje, acredito que, como vivíamos na mesma região, era compreensível que ela também não fizesse ideia do que fosse um pêssego. Estávamos em 1983, sem Google, a quilômetros de uma biblioteca que tivesse enciclopédia... Enfim, encontrar a gravura de um pêssego pra me mostrar, seria..., usando as palavras da personagem Lorena: exorbitar demais. Quase ninguém ali possuía TV, as que existiam, eram em preto e branco. Além disso, por que alguém comentaria sobre cheiro de pêssegos, na TV?
Nessa época tudo que fosse bom era proibido. Vivíamos em plena ditadura militar. Ah, mas eu adorava muitas outras partes do livro, que decorei, como aquela de "beber água de coco e mijar no mar". Água de coco, eu conhecia muito bem, também a sensação de mijar no rio, lagoa que fosse... O livro me arrancava do mundo real insuportável, e me levava às possibilidades mais incríveis. Aquele livro era para mim! Eu era Lião revolucionária, Lorena virgem, Ana Turva miserável. Mas eu era, sobretudo, a receptora das mensagens implícitas e explícitas na história de cada uma das meninas de Lygia; das causas e consequências das ações de cada uma delas. Dali, eu tirei o ensinamento de dever sempre buscar o equilíbrio. Lygia Fagundes Telles falava comigo, pois minha mãe que me pariu estava longe demais da minha vida e alma. Lygia havia me captado, me adotado e me aconselhava, aconchegava, aconsegurava naquelas páginas. No dia em que nasci, morri. No dia em que abri aquele livro, renasci. Lygia soprou, com sua literatura, uma nova vida em meu cérebro. 
E um dia eu disse isso à Lygia, via e-mail. Ela, aos 94 anos. Eu, já com 13 livros editados e ocupando a cadeira número 7 de uma Academia de Letras em Brasília. Lygia me respondeu, por e-mail, e me enviou a mais recente edição do livro “As meninas”, aquele que movera meu mundo. No autógrafo, Lygia me chama de irmã, e isso por si só valeu minha vida.

Escrever é adotar pessoas.
(Maria Montillarez)

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Lançamento do livro Celeiro do Povo, de Maria Montillarez

Mais um lançamento de Maria Montillarez,  pelo selo do Instituto/Editora ICEIB:
Síntese:  Uma viagem que vira livro, uma bebida que revela talentos e um homem misterioso.

Nesse torvelinho, Lucinda da Consolação de Gusmão vive mais uma de suas extravagantes e surpreendentes histórias. Dessa vez, a pedido de Matilde Herrera, Lucinda cruza o Nordeste brasileiro a fim de contar a história de um místico, Aglásio, filho de Matilde, aclamado por seus feitos. 


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O jeito foi mudar a casa de lugar! Trecho do livro Histórias do Além, de Rogério Corrêa

O jeito foi mudar a casa de lugar!

  
Há muito tempo aconteceu algo assustador a um casal de irmãos. Naquela época uma moça e seu irmão moravam em uma antiga casa, numa fazenda que herdaram dos pais, que por sua vez, haviam herdado dos pais, avós desses irmãos.
Geralmente as fazendas eram afastadas (ainda são) umas das outras, e na maioria das vezes os rapazes namoravam filhas dos vizinhos, para não terem de se locomoverem para tão longe, e o cavalo, era o principal meio de transporte.
Em um dia atípico, de tardezinha a moça começou a sentir uns arrepios estranhos e decidiu ir à casa da vizinha para não ficar sozinha, porque o seu irmão tinha ido a cavalo distante dali, para namorar.
A vizinha era muito pobre e tinha vários filhos. Prosearam, jantaram, e lá pelas 8 horas o filho mais velho chegou com alguns primos para dormirem na casa. A moça assustada, tinha pensado em dormir na vizinha, porém, não teve como, porque as camas eram insuficientes para todos.
Em cada uma das camas já iria dormir mais de uma pessoa, então, ela retornou sozinha para sua casa, naquela noite escura, e preparou a cama para dormir.
Naquele tempo não tinha energia elétrica nas fazendas, só lamparinas e candeias. De repente, algo deu um puxão em sua coberta. Ela acendeu a lamparina e não viu nada. Aumentou o pavio para iluminar mais, conferiu todas as tramelas[1] das portas e janelas para ver se estavam bem fechadas, também olhou debaixo das camas.
Depois de procurar bastante e não encontrar nada, tornou a sentir os arrepios e bateu aquele medo danado. Mas, pensou que poderia ser um rato e ele tinha se escondido no assoalho, então resolveu voltar para a cama, apagou a lamparina.
Passou-se um tempinho, e algo deu novo puxão em sua coberta. A moça novamente acendeu a lamparina, olhou, e nada viu.
O medo já tinha tomado conta dela, então, dessa vez, deixou a lamparina acessa mais tempo, pensando que o seu irmão chegaria rápido. Mas, não chegou.
Outra vez apagou a lamparina, e, depois de um longo tempo, a coberta da cama foi puxada outra vez, mas, com tanta força, que foi parar no outro canto do quarto.
A moça disse que só não morreu, porque seu coração devia estar muito saudável. Ficou tão apavorada, e, como dormir estava fora de questão, resolveu sair de dentro de casa e aguardar o retorno do seu irmão do lado de fora.
Não demorou muito, e escutou, ao longe o galopar do cavalo vindo em sua direção. Gritou o nome do irmão e ele respondeu. Ele quis saber os motivos dela não estar dormindo, e ela contou o que tinha acontecido. Ele sorriu muito, e disse que era tudo coisa da cabeça dela, já que nunca tinha sucedido algo daquela natureza na fazenda ou vizinhança.
Mas, a moça estava tão assombrada, e o susto tinha sido tal que ela teve de dormir com o irmão, todavia, naquela noite não houve mais incidentes.
No dia seguinte a moça disse ao irmão que não dormiria mais na casa, e, preparou suas roupas e as colocou em uma mala, despediu-se do irmão e seguiu para a estrada de terra por onde um ônibus passaria pela manhã, em direção à cidade mais próxima. Iria para a casa de familiares.
Contudo, o irmão não quis acreditar naquilo que lhe pareceram supostas assombrações sofridas pela irmã, e ficou sozinho na casa.
Alguns dias se passaram, e aconteceram coisas bem piores com ele: tomaram a coberta, escutou rinchados, gritos e latidos dentro da casa, e, quando acendia a lamparina não via nada. O medo foi tão grande que na mesma noite ele saiu da casa e foi dormir na fazenda do pai de sua namorada.
Ao chegar lá na fazenda contou a eles o que aconteceu à sua irmã e a ele. O assunto foi largamente discutido e os mais entendidos lhe aconselharam: “O jeito é mudar a casa de lugar!”
Nos dias que se seguiram permanecia na propriedade até a tarde, e, antes do anoitecer seguia para a fazenda da namorada. Ao mesmo tempo avisava os amigos que iria fazer um mutirão para desmanchar a casa.
Poucos dias depois desmancharam a casa e fizeram outra próxima à estrada e a um pequeno córrego.
Apesar de haverem mudado a casa de lugar, a moça ficou com tanto receio de dormir na casa, que pouco se lhe dava terem-na mudado de lugar. Nunca mais voltou lá para pernoitar. Contudo, o irmão dela permaneceu lá, e, felizmente, o que quer que houvesse de mal-assombrado, não acompanhou a casa na mudança, e o rapaz pôde dormir em paz.


[1]Tramela: é uma espécie de tranca para portas e janelas de madeira, que é feita com um pedaço de madeira resistente, com um furo no centro. Ela é pregada no batente das portas e janelas, de tal modo que pode ser girada para trancar ou destrancar.

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